3 Palavras essenciais em qualquer reunião sobre design systems

Quem conhecer um pouco o conceito dos design systems saberá que esta abordagem não é, nem de perto nem de longe, um tema só de designers ou developers. É sim, algo que deve envolver todas as equipas de produto, do princípio ao fim de qualquer metodologia, seja numa fase inicial ou no desenvolvimento de cada nova funcionalidade.

Todas as equipas à mesa

Todas as equipas, sejam elas de design, development, project management, business, sales, customer support, etc. Devem ser chamadas a colaborar na construção do design system do produto, enriquecendo em muito o resultado final.

Cada uma destas equipas, conhece o produto de uma perspectiva diferente. Conhece o produto segundo o feedback que recolhe dos consumidores ou a forma como este se relaciona com parceiros. Cada uma destas equipas, é capaz de identificar pequenos ou grandes aspetos de melhorias, que trariam ainda mais valor aquilo que todos juntos estão a construir.

O principal desafio

Porém, cada uma das equipas de trabalho do produto, tem um léxico diferente. Cada qual, dentro da sua especificidade, trabalha com uma área de conhecimento diferente. Por conseguinte, é perfeitamente natural que cada uma dessas áreas tenha uma hierarquia de importâncias e um glossário bem diferente. Isto não é bom nem mau, é o que é. Todas as áreas de conhecimento são diferentes e todas elas têm as suas particularidades.

O principal desafio então, em qualquer reunião mas não só, é conseguir estabelecer um dicionário e um léxico transversal a todas as equipas de trabalho, para que todas elas possam contribuir com o seu talento para a construção do resultado final, que é o design system do produto.

Palavras mais relevantes

Os design systems são um dos temas mais recorrentes quando se pensa e desenha qualquer produto digital hoje em dia. Passado que está o tempo de promoção do conceito, no quotidiano das equipas de produto, este é um tópico já muito recorrente e até acarinhado.

Apesar disso, muitas vezes o tema corre o risco de ficar confinado a uma ou outra equipa de trabalho. Design e development, são duas das equipas mais próximas do tema, mas a bem da verdade, este é um tópico que deve ser transversal a todas as equipas.

Nas equipas, muitos são os momentos de trabalho, necessários para que todos possam contribuir para a evolução do design system do produto, independentemente da sua área de especialidade. Em todos esses momentos, em todas essas reuniões, existem algumas palavras que será muito importante que estejam sempre à mesa, para que todas as equipas se consigam alinhar, verdadeiramente, na ambição e significado de um design system para o seu produto.

Colaborar

Um design system é por definição uma ferramenta colaborativa. Um sistema que permite a confluência de saberes de muitas áreas diferentes, na construção daquilo que será a experiência que o produto vai disponibilizar aos seus utilizadores. Por conseguinte, sendo uma ferramenta tão transversal, obriga, no bom sentido da palavra, todas as equipas de produto a trabalhar em conjunto, partilhando, discutindo e evoluindo visões particulares para estratégias de curto, médio e longo prazo.

Iterar

Nos design systems, tudo é evolutivo, tudo é iterativo. É suposto o sistema ir crescendo conforme as próprias necessidades do produto digital. A conciliar com aquilo que é a evolução natural do produto e do seu modelo de negócios, o feedback dos utilizadores é uma pedra basilar para a própria evolução do design system. Testar recorrentemente soluções com os utilizadores, recolher dados analíticos da utilização, encontrar novas abordagens para os mesmos desafios, são tudo informações que irão trazer para o trabalho do sistema, uma necessidade constante de iterar e fazer evoluir o design system.

Modular

Pensar, desenhar e desenvolver um produto é uma tarefa imensa. O produto digital, vai muito para além de qualquer página de entrada de um website ou de uma app. É muito mais que isso e no final do dia para os utilizadores é o somatório de muitas coisas diferentes. Por conseguinte é impossível e até pouco desejável, resolver e ter em aberto demasiadas frentes de trabalho ao mesmo tempo. Adotar uma visão modular dos desafios e tentar perceber como aquela solução, pode servir para outros desafios similares, pode ser uma decisão muito inteligente. A visão modular do produto, é algo que pode em muitos casos determinar o sucesso no mercado do produto digital que estamos a construir.

E já agora…

Contudo, é importante juntar a estas três palavras (colaborar, iterar e modular) que devem estar sempre em qualquer reunião sobre design systems, uma outra. Ou melhor dizendo, não juntar, mas sim afastar de qualquer discussão. A palavra “fechado” é daquelas expressões que difícil tem lugar em qualquer discussão sobre design systems. Um design system, nunca está fechado. Sim é verdade. Nunca vamos chegar aquele momento em que dizemos “está fechado, nunca mais lhe vamos precisar mexer”. Na melhor das hipóteses poderemos dizer: “com aquilo que sabemos hoje, esta é uma boa solução”. Assim que começarmos ou voltarmos a testar a solução com novos utilizadores, vão aparecer novas ideias, que podem fazer a equipa a revisitar cada tema.

Isto não quer dizer que o projeto de um design systems, vive na incerteza e no vazio de planeamento. Muito pelo contrário. Devemos sim, afastar simplesmente a ideia de coisas encerradas, quase como se fossem escritas na pedra. A riqueza precisamente dos design systems é dar às equipas de produto, uma ferramenta sistemática colaborativa, iterável e modular, que permite dentro de um planeamento claro, fazer evoluir as necessidades dos produtos digitais.

É importante não esquecer que os próprios utilizadores evoluem. Dia-após-dia, com novas necessidades mas também novas oportunidades de negócio. Um produto digital de sucesso, deve saber acompanhar isso, estar à frente do seu tempo mas acima de tudo, não ter medo de partir à descoberta das pessoas por detrás dos clicks, os seus utilizadores.

Ilustração © Ana Rute Costa