Curadorias temáticas

Pode parecer um paradoxo, difícil de explicar até, mas hoje em dia vivemos um tempo de “excesso de informação”. Temos hoje, graças a esta world wide web, acesso democrático a um manancial de informação como nunca aconteceu na história da humanidade. Com meia dúzia de palavras, através de um qualquer motor de busca online, rapidamente podemos ter contacto com um sem fim de conteúdos sobre qualquer tema. Basta pensar num tópico, pesquisar e todas as respostas se vão deparar bem na nossa frente.

Acontece que na prática não é bem assim. Temos sim acesso a uma vastidão de conteúdos, sem dúvida. Mas aqui a quantidade não joga muitas vezes a nosso favor. Façamos o seguinte exercício. Imaginemos que queremos aprender mais sobre um qualquer tópico. Vamos a um motor de pesquisa, colocamos algumas palavras e rapidamente nos vai aparecer muitas sugestões de leitura. O problema vem a seguir. Eu que não percebo quase nada daquele tema, como vou conseguir saber quais são daquelas referências as mais e menos importantes? Quais são as mais credíveis? Quais não passam de maus conteúdos sem nenhum tipo de base sólida por detrás? A resposta é simples, não sabemos. E isto é um problema sério.

Ao explorar um qualquer novo tema, neste caso por exemplo dentro da disciplina de design, não é difícil que nos percamos no meio de tantas referências. Como qualquer processo de aprendizagem, mesmo quando feito de forma autónoma, é necessário algum tipo de orientação. Alguém ou algo que nos diga, com uma base de credibilidade e confiança, que caminho fazer.

É importante ter bem presente que os caminhos que possam ser propostos, serão sempre enviesados pelas perspectivas pessoais de quem os propõe. Especialmente quando falamos de uma disciplina como o design, é bastante simples encontrar perspectivas diferentes sobre os mesmos temas, todas com igual valor e rigor. Ainda assim, alguma orientação pode ser melhor que orientação nenhuma. Ficando depois a cargo de cada um de nós, a responsabilidade de aplicar o sentido crítico necessário, para que com o tempo também consigamos avaliar se aquela proposta de caminho, faz ou não sentido para nós.

Transparência na partilha

É importante nunca perder o sentido de humildade, mas também acreditar que a partilha pode valorizar em muito a comunidade. Ao longo de todos os anos em que é editado o DXD, os processos de investigação para a criação dos seus conteúdos, partiram em muitos casos de linhas de pensamentos de outros autores. Compreender diferentes pontos de vistas, é um caminho difícil mas muito rico para a criação de perspectivas particulares sobre determinados temas.

Um caminho difícil porque obriga a um trabalho de amadurecimento de cada tópico muito grande. Sem isto corremos o risco de simplesmente duplicar o pensamento de outros. Contudo, é também um caminho muito rico, porque permite ampliar em muito o nosso ponto de partida de análise. Toda esta investigação, deu origem a um processo cuidado de leitura e catalogação de referências de conteúdos. Artigos de opinião, casos de estudo, artigos científicos, ebooks, livros, vídeos e um manancial imenso de referências sobre os mais diversos temas, sempre dentro da esfera do design.

O volume de referências cresceu de tal maneira, que chegou a uma altura que seria irresponsável, não partilhar isso também. Muitas destas referências serviram de fonte de inspiração à criação de muitos dos conteúdos disponíveis no DXD de forma aberta e gratuita. Mais que uma fórmula perfeita, o DXD também serve para ajudar no processo de reflexão em comunidade. E por isso mesmo, faria todo o sentido disponibilizar de forma aberta também as referências de conteúdos que inspiraram o DXD em todo o seu trabalho.

Esta reflexão, levou à criação das curadorias temáticas. No fundo, estas páginas sobre determinadas temáticas, resultam da curadoria cuidada de conteúdos, sobre temas absolutamente transversais e fundamentais no trabalho do DXD. Tópicos incontornáveis no quotidiano da disciplina de design e sobre os quais o DXD tem disponibilizado ao longo do tempo bastantes conteúdos próprios.

Design Systems

Os design systems são um tema muito quente nos dias de hoje no design aplicado à transformação digital. Mais que bibliotecas disto ou daquilo, os conceitos mais básicos que estão na sua génese, desafiam as equipas a um pensamento sistémico na construção dos seus interfaces, mas principalmente das suas experiências digitais.

É um tema que tem ganho uma visibilidade imensa na indústria e sobre o qual já muito se escreveu e discutiu. Enquanto comunidade, podemos hoje já olhar pelo retrovisor e perceber algum do caminho que foi feito até aqui chegarmos. Evolução de conceitos, transformações nos processos de trabalho, mudanças nos perfis de profissionais nas equipas de design.

Acessibilidade

O design desde a sua origem que sempre teve uma ambição social. Seja na resposta a desafios originados por grandes guerras, ou no ímpeto da resolução dos problemas mais comuns no dia a dia das pessoas. É justo dizer que o design tem também uma responsabilidade social a que não pode fugir (e ainda bem). A acessibilidade, mais concretamente a acessibilidade digital, é uma materialização perfeita de toda esta ambição social do design. Ajudando a democratizar o acesso à informação online, através de soluções digitais realmente acessíveis, para os quais o design pode dar um contributo sobejamente importante.

A acessibilidade é também um tema, absolutamente basilar para o DXD. Não só pela responsabilidade social que ele acarreta, mas principalmente pelo seu sentido de urgência. Temos hoje à nossa disposição potencialidades tecnológicas imensas. Contudo, temos também pessoas que não conseguem, através do digital, realizar ações tão básicas como consultar informação, pagar contas ou comprar um produto online, porque as plataformas não são acessíveis.

Desenvolver sentido crítico

Nenhum destes espaços de curadoria são visões unilaterais sobre cada tópico. É fundamental nunca esquecer isto. Cada um dos tópicos, reúne uma selecção cuidada de referências de conteúdos, mas facilmente poderás aqui adicionar outras referências de grande valor. O sentido crítico na análise, é uma peça essencial para a construção de conhecimento sólido sobre qualquer temática. É bom discordar e partilhar argumentos. Estes espaços de curadoria, são a forma encontrada pelo DXD para partilhar aquelas que são as suas referências em cada um dos temas.

Qualquer curadoria é sempre um processo de escolhas pessoais. Claro que esse processo tem que ser rigoroso, para que possa acrescentar efetivamente algum valor. Mas reflete sempre uma perspetiva pessoal. O desafio que te é feito é que possas tu próprio descobrir as muitas referências que aqui são partilhadas e possas desenvolver também tu, uma visão pessoal sobre cada um dos tópicos. É um caminho penoso, é certo. Não existem fórmulas pré-concebidas, também é bem verdade. Mas no final do dia, é este caminho que te vai levar verdadeiramente ao ponto de evolução a que ambicionas chegar.

Fotografia © Alexander Grey (Unsplash)