O ensino da criatividade em Portugal

O título deste texto não poderia ser mais enganador ao colocar “ensino” e “criatividade” na mesma frase. A bem da verdade, o texto não fala sobre o ensino da criatividade em si, mas sim, sobre muitas das escolas que em Portugal e em várias áreas da criatividade, têm contribuído com as suas propostas educativas para esta finalidade.

Definição de criatividade

O termo “criatividade” em si, não se pode dizer que seja fácil de definir. Muitas vezes é utilizado simplesmente para descrever uma determinada indústria, por norma associada a áreas relacionadas com a dimensão da comunicação. Contudo, existem também visões que defendem que a “criatividade” pode e deve estar presente em qualquer área do conhecimento. Por conseguinte, segundo esta linha de pensamento, a ambição de querer fazer mais e melhor, levará qualquer profissional, seja de que área de atividade for, a explorar novas perspetivas, novas formas de resolver problemas. Não poderá está ambição ser chamada também de criatividade? Com certeza que sim.

Apesar da definição complicada, o termo criatividade tem efetivamente ao longo dos anos, servido também para identificar áreas de atividade muito específicas, por exemplo, áreas como a publicidade, o marketing, o design, o audiovisual, audiovisual, a estratégia, etc. Embora seja uma associação relativamente circunscrita, para abrangência de um conceito tão amplo como o é o da criatividade, esta delimitação é um lugar-comum, bastante recorrente na indústria denominada de criativa.

Definições à parte o senso-comum, bom ou mau, ajuda valiosamente a catalogar de forma mais ampla quase tudo o que fazemos. Se queremos partilhar algum tipo de mensagem, precisamos encontrar um léxico comum com quem nos possa interpretar. Neste caso, utilizar a associação da palavra “criatividade” a todas as áreas de atividade que referíamos. Por áreas criativas, poderemos então associar tudo o que diz respeito à publicidade, ao marketing, ao design, ao audiovisual, à estratégia, etc.

Clube Criativos Portugal

Catalogações feitas, o essencial deste texto não é sobre a definição da criatividade em si. É sim, sobre um trabalho que o Clube Criativos Portugal (CCP) tem feito nos últimos anos de aproximação à comunidade educativa criativa em Portugal, ou seja, as escolas e que de uma forma ou de outra, têm uma proposta pedagógica ligada ao ensino de qualquer uma das áreas criativas.

O CCP, o clube é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1997 que realiza anualmente o mais prestigiado Festival de criatividade em Portugal. Este festival que reúne com um programa alargado de atividades, toda a comunidade criativa, decorre tradicionalmente no fim de Maio de forma ininterrupta desde 1998.

O Clube Criativos Portugal, nasceu com o objetivo de valorizar o melhor que se faz em criatividade comercial em Portugal. Tem como principais missões promover a criatividade na comunicação comercial; representar e estabelecer padrões de qualidade na indústria; estimular, apoiar e ajudar a formar as próximas gerações de criativos; demonstrar a importância e a necessidade de boa criatividade; facilitar a troca de experiências entre profissionais do meio.

Comunidade Educativa Criativa

Mas, embora a importância da missão de aproximar a comunidade educativa daquilo que é o mercado, num espaço comum como o Clube, esbarrava por norma numa questão, que pode parecer muito simplista mas que ganhou com o tempo uma importância acrescida: que escolas compõem esta comunidade educativa criativa em Portugal? Onde se ensinam estas áreas relacionadas com a criatividade? Em que escolas e universidades? Existiram outras entidades de formação?

Todas estas perguntas, foram o principio de construção desta ferramenta que procura identificar todas as Escolas, Universidades, Institutos Politécnicos (públicos ou privados), mas também, Centros de formação especializada que compõem efetivamente esta rede a que se chamou de Comunidade Educativa Criativa (CEC).

A importância das redes

Num contexto como o que vivemos é quase uma redundância explicar a relevância da criação de redes, ainda para mais numa indústria como a criativa. Vivemos tempos em que a proximidade é essencial, o conhecimento flui de forma descomplexada e a concorrência deixou de ser encarada como algo negativo, mas sim, como um estimulante para ser cada vez mais relevante nas propostas.

Uma rede que em primeiro lugar identifique quem são escolas ligadas ao ensino da criatividade em Portugal, seria o princípio basilar para uma construção mais forte de comunidade de partilha de conhecimento, experiências mas também desafios, entre o Clube e as escolas.

Plataforma online

Contudo, é importante não esquecer, que este trabalho de levantamento e identificação de entidades, que se traduziu numa plataforma online, só faz sentido porque se traduz também numa ligação entre pessoas. Esta rede não se transformou para o Clube só numa ferramenta, mas sim, em ligações a pessoas concretas que com o seu trabalho, talento e criatividade, claro está, dão sentido todos os dias ao ensino das áreas criativas em Portugal.

Imagem da plataforma de inventário da Comunidade Educativa Criativa no Google Maps
Plataforma online de inventário

Na organização da plataforma, recorreu-se a uma catalogação de escolas segundo quatro grupos essenciais que atualmente contam já com algumas dezenas de entidades identificadas: Ensino Superior Universitário (23), Ensino Superior Politécnico (19), Ensino Secundário (3) e Formação Especializada (10).

Ajuda da comunidade

Por definição este trabalho de levantamento nunca estará completo. É algo em constante evolução e que a cada dia sofre novas atualizações. É um trabalho que tem que ser feito com perseverança, mas também com a ajuda da comunidade.

Partindo da base de trabalho que existe hoje, todas as sugestões de novas escolas, são muito bem-vindas. A sensação é que falta sempre mais alguma, mas que esbarra na dúvida de não saber qual.

Todo o caminho que foi feito até aqui não pertence ao Clube Criativos Portugal, ou a alguém em particular. É sim, um caminho da comunidade que será tão maior, quanto a participação de cada um de nós que construímos esta indústria “criativa”.

Fotografia © Jordan Madrid

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