Será a acessibilidade assim tão cara?

Nos tempos (muito desafiantes) que as marcas e os criativos vivem, o digital e a importância da sua acessibilidade, é algo incontornável nas nossas vidas. Nada de novo. Esta é uma verdade muito clara do nosso quotidiano. Poucas pessoas imaginam, se é que isso é possível, como seria a economia sem tudo o que a “transformação digital” trouxe ao mercado.

Contudo, a “digitalização” das nossas vidas, trouxe consigo também um conjunto de desafios muito alargado. Por entre esses desafios, que são para as marcas e para os criativos mais ou menos claros, a acessibilidade digital – ou a possibilidade de qualquer pessoa independentemente das suas limitações físicas ou psíquicas, aceder a uma informação ou serviço através de um interface digital – não se pode dizer que seja um tema recorrente. Não que não reconheçamos todos na área da comunicação a sua importância, mas sim porque é, de facto, uma temática rodeada de muitos mitos.

O mito do custo

Por entre todos os mitos que se criaram à volta da acessibilidade, um dos mais relevantes mas também mais enganador é o do preço. Existe a ideia generalizada que ter um website adaptado às melhores práticas custa muito dinheiro às marcas.

Para desconstruir o falso mito do seu custo elevado, o primeiro desafio passa por perceber exacamente qual o impacto da acessibilidade no desenvolvimento de um website. É certo que resposta a esta questão pode ter vários graus de profundidade. Mas, numa versão mais simples é muito fácil concluir que é nas componentes de design e de código que a acessibilidade pode ter maior relevância. O que não significa forçosamente um encarecimento do projeto.

As pequenas grandes coisas

Existe uma ideia que tem que ser muito clara quando se fala desta temática. O essencial da acessibilidade resolve-se nas pequenas coisas que pouco têm que ver com grandes orçamentos ou projetos excessivamente complexos. Pequenas coisas sim, mas no design e no código podem ter uma relevância imensa quando falamos de tornar os websites das marcas, nos quais excelentes equipas de criativos trabalham todos os dias, mais capazes para serem utilizados por qualquer tipo de pessoa independentemente das suas limitações. 

Por exemplo, no design quantas vezes testamos os contrastes das nossas cores em diferentes tipos ecrãs garantindo uma leitura aceitável em todos eles? Ou então no código, quantas vezes nos perguntamos o que aconteceria se um invisual tivesse que visitar o nosso website e utilizasse um leitor de ecrã para navegar? 

Ainda um outro exemplo. Quantas vezes durante o projeto de desenvolvimento de um website consultamos ou revisitamos as diretivas de acessibilidade para o conteúdo da web? Consciente da importância da temática da acessibilidade, o consórcio W3C, responsável pela implementação de boas-práticas na internet, desenvolveu um conjunto de orientações de acessibilidade, as WCAG. Estas orientações definem que os websites podem ser classificados segundo três níveis de conformidade: A, AA ou AAA. Toda a documentação está disponível online de forma gratuita e traduzida em vários idiomas.

Vamos testar a acessibilidade?

Nenhum destes exemplos por incrível que pareça, está relacionado diretamente com orçamentos. Apesar disso, são muitas destas pequenas coisas que podem fazer toda a diferença na hora de um utilizador com algum tipo de limitação visitar o nosso website.

Então em que ponto está o seu website em termos de acessibilidade? Já tinha pensado nisto? Estará classificado com A, AA ou AAA segundo as WCAG? É muito fácil saber e, por incrível que pareça, também não custa absolutamente nada. Basta visitar uma ferramenta online gratuita como o Access Monitor da FCT, inserir o endereço de um website e perceber qual o tipo de classificação que ele obtém.

A acessibilidade é muito mais que uma parcela num orçamento. É uma ferramenta real que as marcas e os criativos têm de todos os dias construírem produtos e serviços mais inclusivos, numa era em que acreditamos que o conhecimento é cada vez mais um direito feito de, com e para todos.

Fotografia © Josh Appel