Vamos lá trabalhar de pantufas, quer dizer em remote

Por várias razões diferentes, o trabalho remote tem vindo nos últimos tempos a ganhar uma grande relevância. Seja pela deslocalização das equipas, a flexibilização dos horários de trabalho mas, muitas vezes também por razões de força maior, trabalhar a partir de casa ou de qualquer outro local que não o escritório das empresas, é hoje cada vez mais uma realidade incontornável.

Novos locais, novas abordagens

Apesar disso, é muito importante compreender, que o trabalho remote, não quer dizer em momento algum, trabalhar menos ou produzir pouco. Aliás, esses são muitos dos falsos mitos que se foram criando ao longo dos tempos, mas que felizmente, hoje em dia estão cada vez mais afastados do imaginário.

Trabalho remote, quer simplesmente dizer, na definição mais abrangente do termo, trabalhar a partir de qualquer lugar. Seja em casa, num espaço de co-work, ao ar livre ou em qualquer outro local, nenhum destes espaços significa que não é possível realizar um trabalho de excelência. Muito pelo contrário. Mudar o local onde se trabalha, pode ter, dependendo das profissões, ganhos de produtividade bastante significativos. Assim, seja por um contexto mais confortável que o escritório ou por espaços que potenciem o trabalho colaborativo, novos espaços de trabalho são sempre uma oportunidade de desafiar processos e rotinas.

Formas diferentes de trabalhar

Um dos erros muito comuns quando se fala de trabalho remote é a simples digitalização dos processos analógicos. A tendência muitas vezes, é querer fazer tal e qual aquilo que se faz no escritório, mas simplesmente de forma digital. Nada poderia estar mais errado.

Trabalhar em remote, implica, redesenhar processos de trabalho. Pensar que o tipo de mecânicas que se utiliza no dia-a-dia num escritório, não podem ser as mesmas quando a equipa está separada fisicamente. Trabalhar remote, implica descobrir novas ferramentas, tecnológicas sim, mas principalmente humanas. Seja no escritório ou a partir de casa, a génese das equipas é sempre a mesma, as pessoas. Assim sendo, todo e qualquer processo de trabalho, deve-se centrar nas pessoas que o protagonizam e que lhe acrescentam valor.

As dinâmicas de trabalho remote, trazem consigo o desafio acrescido de manter e potenciar o contacto humano dentro e fora da equipa. Assim, seja pela realização de momentos de partilha (rápidos), desafios de formação, dinâmicas de quebra-gelo ou momentos de trabalho colaborativo, é muito importante que a identidade da equipa, nunca se perca, apesar da distância.

Desafios e ferramentas do remote

Felizmente, existe já bastante documentação para quem só agora pensa em criar dinâmicas de trabalho remote nas suas equipas. Muitos são os artigos e as ferramentas a que se pode ter acesso e que serão de certo uma ajuda valiosa.

Contudo, nos muitos conteúdos a que se possa ter acesso, é muito frequente encontrar muitos pontos comuns. Conceitos que de uma forma ou de outra, estão sempre presentes e que resumem em grande medida quase todos os desafios do trabalho remote. Se só agora vais entrar no “novo mundo” do trabalho remote, aqui ficam algumas dicas (e ferramentas) que te poderão certamente ajudar.

1. Migrar as ferramentas para cloud

Para se conseguir trabalhar em remote é primordial não estar refém de um determinado computador ou rede. Primeiro que tudo, especialmente no caso de uma equipa de design, é indispensável que todas as ferramentas e documentação de projeto, estejam desmaterializadas na cloud, para que possam ser acedidas em qualquer lugar, seja em que computador for.

2. Escolher um local de trabalho confortável

O conforto deve ser sempre levado muito a sério. Se vais mudar de local de trabalho, garante que ele tem as melhores condições. Assim, no novo espaço, toma em atenção a mesa, a cadeira, a luz, o acesso a água, as casas-de-banho e claro está, a rede de wi-fi. Podem parecer pequenas coisas, mas vão fazer toda a diferença num dia de trabalho.

3. Comunicar regularmente com a equipa

Apesar da equipa estar separada fisicamente, continuam a ser uma equipa. Mantém o contacto com todos, vai partilhando ideias e discutindo pontos de situação de cada um dos projetos. Mas, lembra-te que deves organizar bem a gestão destas ferramentas, pois a concentração nas várias tarefas é também muito importante para a tua produtividade.

4. Conversar é sempre melhor que escrever

Escrever em tempo real com toda a equipa é incrível. Mas, conversar cara-a-cara, neste caso, por video-chamada é ainda melhor. Equilibra as janelas de conversas com a equipa, com momentos de video-chamada. Nem tudo de um nem tudo de outro, o equilíbrio entre estes dois formatos é primordial.

5. Planear e documentar cada tarefa

O primeiro passo para o trabalho remote correr mal é não ter um plano de tarefas claro. Afinal de contas, ser meramente re-ativo às necessidades do dia-a-dia é algo que não queremos de certeza. É determinante teres sempre atualizada uma visão de curto, médio e longo prazo das tarefas que tens que realizar bem como o ponto de situação de cada uma delas.

6. Agendar momentos de trabalho

Em conjunto com o planeamento de tarefas, o agendamento concreto é outra das peças preponderantes do remote. Assim, mais que teres uma lista de coisas para fazer, tens que conseguir ter um calendário de marcações de todas as reuniões, momentos de trabalho e entregas que terás para fazer.

7. Partilhar ideias e receber feedback

Apesar de cada elemento da equipa estar a trabalhar em locais diferentes, não deixes de partilhar conhecimento e procurar feedback da equipa em momentos chave. Por conseguinte, lembra-te que em equipa a riqueza do conhecimento partilhado é muito maior. Identifica os momentos em que o feedback da equipa trará um valor acrescentado e partilha com todos o conhecimento que vais adquirindo.

Mais um… ser disciplinado e manter rotinas

O trabalho remote, ao contrário daquilo que o senso comum possa pensar, obriga a uma grande disciplina. É fundamental manter rotinas, seja de trabalho ou descanso. A produtividade tudo tem que ver com a capacidade de manter o foco por determinados períodos de tempo, por isso mesmo, o descanso é tão ou mais importante que o trabalho em si. Define um horário de trabalho claro, mantém o foco nos tempos de trabalho, mas quando for para descansar, aproveita ao máximo!

Equipas com identidade

É fácil de perceber que o remote, traz consigo um conjunto muito grande de novos desafios às formas das equipas trabalharem. Certamente, muito para lá dos desafios tecnológicos relacionados com as ferramentas, o remote obriga a um trabalho muito grande na construção ou amadurecimento da identidade das equipas.

A cultura das equipas é o grande desafio quando as várias pessoas não estão próximas entre si. Assim, é fundamental, construir uma identidade comum, partilhada e enriquecida por todos. Uma identidade que possa evoluir nos processos, nas ferramentas, nas dinâmicas mas que se traduza acima de tudo, num valor acrescentado para o produto digital, no final do dia, o que mais importa para quem os utiliza realmente no seu quotidiano.

Fotografia © Sven Mieke