Como está a acessibilidade digital no Brasil e em Portugal? Como têm evoluído as práticas no mercado? Será que o mercado e as empresas estão a fazer algum esforço para cumprir a legislação? Quais são as diferenças entre os mercados do Brasil e de Portugal no campo da acessibilidade digital? Existe algum tipo de sinergia que poderia ser criada entre os seus profissionais? Foram algumas destas questões que levaram Marcelo Sales e Ruben Ferreira Duarte a criar em 2026 o projeto do panorama de acessibilidade digital no Brasil e Portugal.
Nos últimos anos, seja no Brasil ou em Portugal, as alterações na lei sobre acessibilidade, em geral, e na acessibilidade digital, em particular, fizeram com que o tema ganhasse maior destaque. Aumentou, seguramente, o reconhecimento do tema por parte de um número maior de empresas. Despertou a atenção da comunidade de design e de desenvolvimento. Fez com que as instituições de supervisão olhassem para o tema da acessibilidade digital com mais cuidado e, em muitos casos, fossem proativas na sua fiscalização.
Apesar de tudo isto, será que o panorama dos produtos e serviços digitais está efetivamente melhor? Temos hoje mais soluções realmente acessíveis? Ainda encontramos barreiras básicas de acessibilidade nos produtos e serviços que utilizamos todos os dias? A resposta não é fácil. E é preciso ser rigoroso nesta análise, quer para não sermos demasiado negativistas, quer para não embarcarmos numa onda de otimismo que não tem eco na realidade.
O vais encontrar aqui?
Ponte entre Brasil e Portugal
Refletir em comunidade sobre os desafios comuns tem sempre o mérito de reunir as melhores perspectivas. Todos saem a ganhar. Quer seja pela partilha ou pela participação, a troca e o desafio de ideias são uma fonte de aprendizagem muito valiosa.
Por sua vez, o Brasil e Portugal têm inúmeros pontos de contacto. Não é só a língua ou porventura alguns traços culturais. A vinda e ida de profissionais, também na área do design e desenvolvimento, nos últimos anos entre os dois países, criaram pontes nas práticas tecnológicas. Este contexto pode ser um excelente ponto de partida para o desenho de um panorama comum de maturidade na área temática da acessibilidade digital.
Aproveitando a experiência acumulada ao longo dos anos no trabalho de acessibilidade digital em algumas das maiores instituições e marcas do Brasil e de Portugal, Marcelo Sales e Ruben Ferreira Duarte pensaram em criar uma ferramenta que ajudasse a medir, de alguma forma, a maturidade deste tema nos dois mercados. Um projeto paralelo a sua atividade profissional, mas que reúne a sua experiência de vários anos e que em conjunto com os contributos da comunidade pudesse trazer para cima da mesa, alguns dados de análise relevante.
Assim nasce o panorama de acessibilidade digital no Brasil e Portugal. Um estudo que pretende reunir periodicamente diferentes contributos de profissionais dos dois mercados. Naturalmente que este estudo nunca será uma resposta definitiva à pergunta de “como está a acessibilidade digital?”, mas ainda assim, alguma informação é melhor que informação nenhuma.

Edições do estudo
Na medida do possível, o grande objetivo é tornar este estudo uma prática recorrente. Claro que depende de imensos fatores. Ainda assim, a vontade é clara e assumida pelos dois profissionais. Uma análise consistente e recorrente do mercado pode, sem sombra de dúvidas, ajudar na construção da sua maturidade.

Edição 2026
Sendo a primeira edição do estudo em 2026, este ponto de partida tem, seguramente, um contexto particular. Quando um estudo passa a ter um histórico de várias edições, é possível criar automaticamente modelos comparativos e evolutivos entre uma edição e outra. No caso da primeira edição isso não pode acontecer. Ainda para mais de um estudo que não tem, tanto quanto conseguimos apurar, paralelo nos dois mercados, sendo mesmo o primeiro do seu género.
Lançamento da primeira edição
O lançamento oficial da primeira edição do estudo, foi realizado no dia 21 de Maio de 2026 com a realização de uma conversa online entre os dois especialistas e aberta à participação da comunidade e integrada nas comemorações de 2026 do Global Awareness Accessibility Day. Naturalmente, a escolha do dia para o lançamento da primeira edição não foi inocente. A primeira edição do primeiro estudo deste género merecia um momento à altura para o lançamento oficial.
A conversa, gratuita e aberta a todos os que quisessem participar, misturou a experiência prática destes dois profissionais, as suas visões particulares sobre o que realmente é a acessibilidade digital e alguns dados de análise do mercado e das suas práticas. Não se prometia responder a todas as perguntas que pudessem existir. Seguramente, quem participou, saiu com mais dúvidas do aquelas com que entrou. Mas foi, seguramente, um momento importante de partilha e análise da realidade dos dois mercados.

GAAD
O Global Awareness Accessibility Day (GAAD) é um evento internacional realizado todos os anos na terceira quinta-feira de maio. Em 2026 este dia celebrou-se precisamente a 21 de maio. Criado por Joe Devon e Jennison Asuncion em 2012, este dia propõe, todos os anos, marcar um momento no calendário em que a comunidade global possa refletir sobre o caminho que tem trilhado no campo da acessibilidade e sobre os seus desafios futuros.
É um dia importante. Pelo simbolismo da existência e pela importância que o mercado lhe dá. Mesmo que a realidade da qualidade dos produtos e serviços digitais, não seja em termos de acessibilidade digital aquela que gostariamos, anualmente, neste dia em específico, vemos muitas empresas a declarar o seu compromisso com este tema. Claro que as promessas são para cumprir. Ainda assim a visibilidade que o dia gera sobre a acessibilidade digital, só pode contribuir para a sua promoção positiva e isto deve ser também celebrado por toda a comunidade.
Fotografia © Jordan Wozniak (Unsplash)
