Tradução não oficial para português do ARRM

Se as equipas não souberem exactamente o que têm de fazer para tornar os seus produtos e serviços realmente acessíveis, como vão fazer o que têm de fazer? Esta é uma das problemáticas mais importantes a ter em conta no início de qualquer programa de transformação de acessibilidade digital numa empresa. Mais do que criar um PowerPoint maravilhoso, cheio de referências de documentos que nunca ninguém leu, métricas realistas ou irrealistas, ameaças da lei que vem aí um bicho papão que vai bater nas empresas com um pau, aquilo que nos deve preocupar verdadeiramente é encontrar formas criativas e inovadoras de explicar de forma muito clara as recomendações que temos que implementar a toda a equipa.

A acessibilidade digital é, precisamente, um trabalho de equipa. Uma transformação que tem de acontecer com a ajuda e a participação de toda a equipa de projeto, sem excepção. Editores de conteúdo, designers e developers, claro. Business analysts e QA’s, naturalmente. Mas também, managers, product owners, project managers, arquitetos de software e todos aqueles que participem no processo de transformação digital.

Índice

Referencial técnico

É fundamental que cada uma destas pessoas nas equipas compreenda perfeitamente o que tem que fazer. Na realidade, quais são as suas tarefas na construção do produto ou serviço para que, no final, este seja realmente acessível? Existem muitas checklists que podem ajudar nisto. Online não faltam soluções. Para além de todas estas checklists, existem também as famosas WCAG, que são uma ferramenta extraordinária, mas que exigem, na sua interpretação, um nível de especialidade e conhecimento do tema muito elevado.

Ainda assim, sendo as WCAG o principal referencial técnico de acessibilidade digital, seria importante que houvesse alguma relação entre o que é recomendado à equipa e este documento oficial, reconhecido por todos os enquadramentos legais. É aqui que uma ferramenta lançada pela Web Accessibility Initiative (WAI) da W3C em meados de 2025 pode ajudar (e muito): o Accessibility Roles and Responsibilities Mapping (ARRM).

Tarefas para todos na equipa

De forma muito resumida, o Accessibility Roles and Responsibilities Mapping (ARRM) é uma matriz que inventaria todas as tarefas que devem ser realizadas pelos vários perfis de profissionais da equipa, de modo a atender a cada um dos critérios de sucesso das WCAG. Cada um dos critérios de sucesso das WCAG pode ter inerentes várias tarefas para diferentes profissionais nas equipas. O ARRM descreve a maioria dessas tarefas.

Basicamente, o ARRM diz de forma muito objetiva, para cada um dos perfis de profissionais nas equipas, quais são as tarefas que devem ser asseguradas para que sejam concretizadas as recomendações inerentes a cada um dos critérios de sucesso das WCAG. É um guia, muito mais claro e prático, daquilo que é preciso realmente fazer para que os produtos ou serviços sejam acessíveis. É também mais um passo de gigante na “oficialização” da explicação das recomendações por trás dos critérios de sucesso das WCAG, nem sempre fáceis de compreender e aplicar no contexto do dia a dia.

Para quem anda nisso da acessibilidade digital há alguns anos, é difícil explicar, em palavras, a importância e a relevância do Accessibility Roles and Responsibilities Mapping (ARRM). Para além de ser uma ferramenta que simplifica a compreensão dos critérios de sucesso, é editada pela própria W3C, o que lhe confere um caráter institucional muito relevante. É uma espécie de checklist simplificada de acessibilidade, editada pela própria entidade que elabora as WCAG, o principal referencial técnico de acessibilidade digital em todo o mundo.

Tradução não oficial para português

Acreditando muito na importância desta ferramenta e estando o Accessibility Roles and Responsibilities Mapping publicado nesta fase apenas em inglês, quisemos ajudar na promoção deste instrumento também no universo da lusofonia. Em conjunto com a Filipa Moreno (que realizou um trabalho extraordinário), disponibilizamos uma tradução não oficial de todas as tarefas descritas no ARRM. Embora, neste momento, a matriz documente apenas tarefas para os critérios de sucesso da versão 2.1 das WCAG, ela pode ser, com certeza, uma grande ajuda na democratização do conhecimento e da compreensão das recomendações oficiais de acessibilidade digital.

Podes pedir o acesso à tradução não oficial para o português do ARRM (através de conta Google), seja para uso pessoal ou para trabalho em conjunto com a tua equipa. O documento está disponível online, em formato de folha de cálculo para que possas aplicar uma série de filtros na selecção das tarefas que queres consultar em cada momento. É de utilização absolutamente gratuita e aberta. A única coisa que pedimos, naturalmente, é que, sempre que partilhares conteúdos desta tradução não oficial do ARRM, referencias o DXD, o Ruben Ferreira Duarte e a Filipa Moreno como os seus autores.

Todos os contributos são muito bem-vindos

Queremos muito que este seja um trabalho realizado em conjunto com a comunidade. Todas as sugestões de melhoria para as traduções são muito bem-vindas. Sejam comentários mais técnicos ou qualquer outra sugestão, agradecemos muito todo o feedback que queiras enviar.

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Fotografia © Richard Bell (Unsplash)